CONTE UM POUCO SOBRE VOCÊ:
Sou DJ, produtora cultural e musical, multi-instrumentista e estou sempre em busca de novas culturas e aprendizados. Minha trajetória transita entre a música, as artes e os encontros que elas proporcionam.
Como foram seus primeiros passos com a arte?
Comecei com a música na igreja, meus pais são pastores e desde muito nova tive
contato com instrumentos e o canto. Meu pai me ensinou os primeiros acordes no
violão. Com o tempo, fui explorando outras sonoridades e, eventualmente, me
encantei pela vida noturna e pelas festas. Decidi estudar discotecagem e, de repente,me vi tocando em festas e casas noturnas importantes da cena LGBTQIA+. Hoje, divido meu tempo entre produção cultural, discotecagem e produção musical.
Sempre teve apoio?
Sempre tive apoio na parte musical, especialmente no que envolvia cantar e tocar instrumentos. Mas quando comecei a discotecar, o cenário mudou um pouco
principalmente por ser um universo noturno, o que gerava preocupações na família. O respeito e o apoio vieram com o tempo, especialmente quando viram os frutos e a profissionalização do trabalho. Hoje, inclusive, meu foco já nem está tanto na noite tenho preferido dormir a tocar por aí, rs.
Como começou a discotecar?
A discotecagem chegou de forma muito natural. Eu frequentava festas em São Paulo e descobri o projeto CMIJ, do Nando Marques, que oferecia aulas gratuitas de
discotecagem. Pensei “por que não?” e me inscrevi. Nunca mais parei. Esse ano
completo 10 anos como DJ.
Tem algum estilo que se sente mais à vontade?
Sim! Me sinto muito à vontade em alguns gêneros, mas o que realmente me dá prazer
é discotecar house e techno.
A vida de DJ é muito corrida. Como faz pra garimpar sons e se manter atualizada?
É um desafio mesmo! Com tantas demandas, às vezes é difícil parar pra pesquisar.
Mas procuro estar sempre atenta ao que está tocando ao meu redor, busco álbuns
inteiros pra ouvir com calma e seleciono algumas faixas pra discotecar. Ainda que mais difícil hoje em dia, sigo tentando manter esse hábito de garimpo.
Lugar mais legal que a música já te levou?
Essa é difícil, viu? Já foram muitos lugares incríveis... Mas abrir o show da MC Carol em um clube de São Paulo e tocar no Terraço Itália foram momentos muito marcantes.
Nem todo DJ busca produzir. Por que você escolheu esse caminho?
Na verdade, minha produção musical tem pouco a ver com minha atuação como DJ.
Produzo trilhas, composições harmônicas e melódicas, e edições específicas não
necessariamente focadas em música de pista. Claro que tenho vontade de lançar um EP só com produções voltadas à pista, mas não é minha prioridade no momento.
Você também faz parte de outros projetos como o Cenas Sonoras e o Pequeno Teatro do Mundo. Pode contar mais?
O Cenas Sonoras foi um projeto que idealizei e produzi em 2024, com quatro
videoclipes de artistas do interior, priorizando talentos LGBTQIA+. Foi um processo de muito aprendizado em produção cultural, musical e audiovisual.
Já o Pequeno Teatro do Mundo é uma companhia de teatro de marionetes de fios. Fui convidada para fazer a trilha sonora do cortejo e participar da produção da turnê, que está terminando agora em junho, ganhei muito conhecimento nesse processo e já temos novos projetos juntos no horizonte.
Pergunta WRLDMAG – 3 indicações de artistas locais:
DJ Martí, M13 e Freitas.
O que podemos esperar da Ruth Dalps este ano?
Podem esperar muitas novidades, novos projetos e parcerias potentes que ainda
estão por vir.
AGRADECIMENTO ESPECIAL, RUTH DALPS
ENTREVISTA POR GW
EQUIPE WRLDMAG
2025.