HCGANJJA


Sou HC GANJJA, um jovem no meio de milhões no Brasil, que sonha em fazer com que sua arte seja reconhecida como trabalho e, como consequência poder mudar a realidade a minha volta.

Tenho 22 anos, nasci e cresci no bairro do Henedina Cortez (HC), conjunto habitacional da zona norte de Bragança Paulista, bairro que direcionou e moldou minha visão de mundo.

Quero que minha arte seja não só minha voz e meu propósito, fazer com que seja minha forma de sustento, pra que eu possa continuar criando e inspirando outras pessoas a acreditarem nos seus sonhos também.

Um pouco sobre você:

Como iniciou seu convívio com a musica?

Particularmente não teve um momento específico da minha vida que me aproximou dela. A música sempre fez parte da minha vida e do ambiente aqui em casa.

Mas não tem como falar da minha arte sem citar minha falecida irmã, que era profundamente ligada ao movimento hip-hop e por consequência, me fez ter grande parte dos sonhos e desejos dela que levo comigo ate hoje.

Por que o hip-hop como vertente do seu som? O que chamou sua atenção?

Como complemento da segunda pergunta, o hip-hop sempre esteve presente dentro da minha casa. Minha irmã viveu uma vida muito parecida com a minha, enchendo a casa de amigos, fazendo churrasco, então sempre rolavam várias expressões do hip-hop proximas de mim como o beatbox, grafite, pixação, break dance e skate, por exemplo.

Por isso não foi como se eu tivesse feito uma escolha muito complicada, eu apenas dei continuidade a um movimento que ela já fazia parte alguns anos antes, acho que são interesses parecidos.

Geralmente, o primeiro passo de lançar algo na pista é complicado. Como foi isso pra você? Quando soube que tinha que se expor para o mundo?

O começo é muito complicado para a maior parte dos artistas, ainda mais que vivemos em uma sociedade em que artistas são pouco valorizados e muitas vezes vistos com maus olhos. Então realmente foi difícil dar o primeiro passo e fazer com que as pessoas que me conheciam antes da arte passassem a me enxergar como um artista.

Mesmo depois de anos ainda sinto que é complicado, porque isso ta enraizado no subconsciente da maioria das pessoas do nosso ciclo social. Muitas delas se recusam a aceitar que você também é capaz de aprender, criar, desenvolver, inovar, assim como os ídolos delas.


Eu só sentia que de alguma forma precisava fazer. Precisava fugir da rotina que me fazia mal e das expectativas irreais que eu criava pro meu futuro.

A arte é um processo longo, mas que me ajuda a planejar minha vida com mais calma e com os pés no chão.

Como sua área te alimenta de motivações na sua arte?

Durante a minha vida eu sempre senti dificuldade em dar seguimento a algum projeto de vida. Tudo o que eu começava depois de alguns anos eu parava.

Mas pela primeira vez a música me mostrou ser algo que pode e precisa ser trabalhado e lapidado. É algo que me faz pensar todos os dias, que me motiva a aperfeiçoar e a investir meu tempo e energia.

O que me move é saber que ainda posso ter a chance de gravar aquele clipe do jeito que eu quero, ou fazer aquele feat dos sonhos com algum artista que eu acho foda.

É isso que me inspira a continuar com meus trabalhos, sei que tenho que ser paciente.

Qual o principal objetivo pra você nos projetos que faz? Inspirar ou mais se expressar?

Eu acho importante ter um equilíbrio entre os dois. Eu entendo um pouco como funciona o mercado da música e sei que hoje em dia cada vez mais crianças e adolescentes têm acesso às músicas e clipes. Por isso eu nunca vou fazer algo que possa influenciar negativamente alguém a toa, só por fazer.


Por outro lado, eu também entendo que não sou perfeito e que cresci em uma realidade diferente de alguns, então em muitos momentos vou relatar a realidade e coisas que vi de perto e nem sempre isso vai ser algo inspirador, as vezes é só a realidade mesmo.

Você é conhecido pelo estilo sportswear e roupas de time, qual a influência do estilo nas vivências?

Eu gosto muito mas nem de longe sou um especialista em moda, mas minha forma de me vestir tem influência total da música.

Quando era criança, o funk me fez conhecer marcas que eu não conhecia, perfumes, nomes de carros etc, sempre ouvi nas letras e vi nos clipes.

Depois de adolescente, foi o trap que me fez conhecer marcas de roupa, conhecer nomes de joias e acessórios também, mas eu como um bom CLT, não tenho total acesso à maioria das roupas e acessórios que eu gostaria de ter, mas não é algo que me incomode. Gosto muito de me sentir bem usando uma roupa daora, mas não vejo como prioridade usar as roupas mais caras e que são as “do momento”.

Usar camisa de time é algo que faço desde muito novo, eu quase não reforço isso e quase nunca discuto sobre isso no Instagram, mas eu sou doente por futebol, então juntava o fato de ser bem acessível ter uma camisa de time naquela época com a minha loucura de futebol e aí unia o útil ao agradável.

E até hoje sigo esse seguimento, o funk e o futebol têm muitas coisas em comum, e ambos são influências pra mim na hora de me vestir.

Jovem Promissor é o primeiro álbum. Qual a importância dele pra você? E tem alguma faixa especial?

Jovem Promissor é uma mixtape que saiu com o formato de um álbum, mas isso não muda o peso dele pra mim. Foi meu primeiro projeto “grande” e mais elaborado, com um conceito trabalhado e que tem um grande significado pra mim. Foi um projeto de quase 2 anos de músicas que eu tinha produzido e que tinha perdido o tempo de lançar, ou que eu imaginava que poderiam ter um impacto diferente se saíssem todas juntas. Então foi isso: juntei os sons com o conceito que eu já vinha trabalhando, sobre ser uma “Jovem Promessa” no bairro, por exemplo, e ai surgiu o projeto.

Tem 2 faixas que eu gosto muito: “Dia de Sorte”, que é um feat com o Tevito, um mano que é muito especial pra mim. Eu já curtia o trampo dele antes de conhecer, e depois que trombei ele, nós já viramos parceiros. E é um mano que sempre foi mil grau comigo nas vezes que nós se trombou. Além disso, o som ficou muito chave, então tem um peso especial pra mim.

E “Marley Freestyle”, que veio de uma rima de brisa minha com o Du-F. Quando construí a música, achei ela muito diferente de tudo que eu já tinha feito no estúdio. Na minha percepção ali eu tinha rompido uma barreira de um flow chave que eu poderia usar futuramente kkk.

E qual foi a virada de chave do seu corre pra você?

Eu acho que a minha expectativa de “virada de chave” ainda não tenha acontecido, mas tem muitas coisas que foram apenas ideias no passado e que eu vi acontecendo com o passar dos anos. Uma dessas coisas é ter feito meu som começar a chegar em SP capital, ter feito parceiros lá, conhecido pessoas como a rapaziada do Family Business, por exemplo, os parceiros do Thecria, trombado os parceiros da Sagacemob também.

Daora saber que eles já ouviram ou pelo menos viram uma única vez algum trampo meu. Isso tem muito valor pra mim também.

O que já alcançou que jamais pensou que fosse conseguir tão rápido?

Uma das coisas que eu não pensava que seria tão acessível foi o fato de ter a oportunidade de trabalhar com outros profissionais que também já trabalharam com artistas que eu acompanho. Exemplo disso foi poder trabalhar várias vezes com o Turnerfx, que hoje em dia é muito meu parceiro, produziu e editou todos meus clipes e visualizers desde o começo, e é um mano monstro e um profissional excelente.


Mesma coisa foi ter trampado com o Markz, que fez o clipe inteiro de “Pique Mbappé”, clipe que foi patrocinado pela Luminus. Foi a primeira vez que alguém quis colaborar patrocinando algo pra gente, então foi marcante pra mim e pros mlks. O clipe ficou muito foda e foi muito chave trabalhar com ele e também com a Luminus, que fortaleceu a gente com varias roupas também, e na epoca eu tava precisando muito kkk então tudo isso me marcou muito, tem muito valor na minha caminhada.

Tem algo que queira deixar de legado na sua caminhada?

Mano, eu tenho uma dificuldade de pensar muito a longo prazo e já imaginar um suposto legado pra eu deixar, visto que meu corre ainda não é consolidado da maneira que eu espero que seja. Mas eu penso nas atitudes e pensamentos do dia a dia que eu tento transparecer.

Eu me acho um mano modesto, não consigo meter a perna pra cima de alguém e nem pensar que eu sou superior a alguém, vi pessoas agindo assim e ficando esquecidas no anonimato, por isso acredito que a ideia é fazer o seu corre mesmo, sem se apegar a números que iludem o seu progresso, sem se apegar a elogios e nem às má fases também. Seja paciente e marcha, fazendo isso no presente a chance do futuro te deixar um legado limpo é bem grande.

Pergunta WRLDMAG — 3 indicações de artistas locais:

Luquinhas — Além de ser meu parceiro de infância, na música ele é um mano embaçado. Indico ele pela estética e pelo fato de ter poucos trampos na pista ainda. Dou um spoiler e falo com propriedade que os outros sons que ele tem gravados vão ser pé na porta e vão surpreender demais. Ele é acima da média e logo vai ter o reconhecimento que ele merece.


Ed Mc — Ele é outro artista foda, rima muito e é uma pessoa daora. Vi que ele vem colaborando bastante com outros manos que também são fodas, como o BVR, Bonassa, Unxst, Seth e outros também.

Acredito muito no trampo dele e acho que os próximos lançamentos vão ser fodas.


Vulgo Doo — O trampo dele é zica e enxergo muita verdade no propósito dele. Conheci o trabalho dele pelo Blunt, é um mano que tem personalidade, várias ideias e vários trampos chave na pista, acho que os próximos projetos também vão ser foda.

O auge do HCGANJJA é?

O meu auge ainda não chegou. Quero estar em um momento que posso lançar um som por mês por exemplo, pensar em uma ideia de clipe e ter recursos pra trabalhar nele, colaborar com outros artistas, poder melhorar o repertório de shows, fazer com que meu trabalho seja mais reconhecido. Acho que quando tudo isso estiver acontecendo em conjunto, eu vou estar no meu auge.

Alguma novidade que queira deixar pra galera ?

“Não fui o Primeiro” dia 07/08 📆

trampo novo com prod do @prodbyrodd 🔥


aguardem 🤹🏽

AGRADECIMENTO ESPECIAL: @HCGANJJA

ENTREVISTA POR: @gugawrld7

EQUIPEWRLDMAG

2025