IGOR FONSECA FALA SOBRE SUAS REFERÊNCIAS E SEU MODO DE VIVER A MODA


PHOTO: GUGAWRLD7

QUEM É VOCÊ?

Cara, eu sou o Igor Fonseca, diretor criativo da Darkling. Já trabalho com moda há uns 4 ou 5 anos, mais ou menos. Comecei criando conteúdo de moda e, depois, parti para a parte criativa. E é isso, agora meu trabalho principal é ser diretor criativo da Darkling.

SUAS REFERÊNCIAS?

Cara, falando da parte de criação mesmo, designers que eu admiro… Eu gosto muito do Rick Owens e da Chrome Hearts, curto pra caralho. Se fosse pra citar marcas brasileiras, a UMS seria a maior referência.

E numa pegada mais underground, eu citaria a Paradox Paris. Quero seguir mais essa linha agora também, um desfile bem exclusivo, trabalhar muito com couro, que é algo que estou começando agora. Essas são minhas maiores referências atualmente.

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COMO SURGIU A MARCA?

A Darkling surgiu porque eu queria desvincular meu nome da marca. As primeiras peças que vendi foram pelo meu perfil pessoal, e eu queria criar algo maior.

A Darkling nasceu numa época em que eu estava mal, numa vibe bem dark mesmo, e o nome veio da junção de Dark e Darling, que significa algo como “querida escuridão”. Então, vejo a Darkling como alguém que aceitou a escuridão e a enxerga como algo belo.

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COMO VOCÊ DEFINIRIA SUA ESTÉTICA?

Boa pergunta. Em questão estética, eu gosto muito da estética emo dos anos 2000, tá ligado? É o que estou seguindo agora.

COMO O GÓTICO INFLUENCIA SUAS CRIAÇÕES?

Esteticamente, curto muito a ambientação gótica. Minhas criações trazem muitas referências desse universo, como as catedrais – tanto que lancei o cinto da gárgula, inspirado em arquitetura gótica.

Geralmente, quando se fala em gótico, a galera pensa em roupas pretas. Então, tento puxar para esse lado, criando peças predominantemente pretas, com estampas cruas e essa estética mais sombria.

Mas além disso, trago referências do metal também. Por exemplo, na coleção nova, lancei um short camuflado inspirado no que os caras do metal costumam usar – tipo uma calça ou short camuflado com regata de banda.

Além do metal, também me inspiro no punk e no emo. Tudo isso faz parte das minhas referências.

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POR QUE “SPECTRAL WAR”?

Mano, esse nome surgiu meio do nada. Não tenho certeza do que vou falar agora, mas acho que tem a ver com o conceito de espectro de luz e oque eu tentei passar foi a dualidade entre o bem e o mal.

Se você olhar os dois looks da coleção, um é dark e o outro é branco, com cruzes e elementos mais positivos, como se fosse a luz dentro da escuridão.

O QUE VOCÊ QUER PASSAR COM A SUA MARCA?


Na real, tento passar a mensagem através das roupas. A Darkling fala muito sobre um Igor antigo, que queria fazer parte de algo, mas nunca se encaixou no que estava ao redor.

Quero que a marca acolha pessoas que passam por isso também. Pessoas que não se encaixam no que é comum. A Darkling é algo mais interno, mais pessoal.

COMO SE DIFERENCIAR EM UM MERCADO INFLACIONADO?

No Brasil, para se diferenciar, é preciso construir uma comunidade forte.

Independente do que você fizer, se tiver uma base de público fiel, eles vão abraçar o que você criar.

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SEU DIFERENCIAL?

Meu diferencial, velho, acho que é a estética da marca.

Não lembro de nenhuma marca no Brasil que tenha essa pegada gótica, mais dark.

As marcas que estão em alta agora seguem muito uma linha militar – calça cargo, camuflado… Então, acho que o que me diferencia é justamente essa estética.

SEUS GOSTOS MUSICAIS

Agora estou escutando muito tech house, porque tenho ido nos rolês com uns parceiros DJs.

Mas minha raiz mesmo é o rock e o metal. É por isso que minha estética e a da marca seguem essa vibe.

COMO FOI SE TORNAR UM DOS RESIDENTES DA ARTLAB?

Lembro que o Davi deu um rolê aqui, o Ryan me chamou, e eu vim conhecer o espaço. Na época, o Davi comentou que queria trazer mais gente pra cá.

Eu estava precisando de um espaço pra expor minhas criações e produzir – antes, fazia tudo no meu quarto. E daí bateu, mano, deu um match.

NOVIDADES?

Um spoiler da próxima coleção: quero fazer uma jaqueta jeans encerada com cera de abelha, e colocar uma pelagem de coelho na gola. Vai ficar sinistro.

O QUE PODEMOS ESPERAR DO IGOR E DA DARKLING DAQUI PRA FRENTE?

Hoje vivo pela Darkling.

Quero entregar coisas novas, trazer referências de fora, não só seguir tendências que estão em alta no Brasil, mas criar algo novo e fazer a galera gostar disso, criando tendências.

ENTREVISTA FEITA POR LUIZ GUSTAVO

EQUIPE:WRLDMAGAZINE