Cara, eu sou o Igor Fonseca, diretor criativo da Darkling. Já trabalho com moda há uns 4 ou 5 anos, mais ou menos. Comecei criando conteúdo de moda e, depois, parti para a parte criativa. E é isso, agora meu trabalho principal é ser diretor criativo da Darkling.
Cara, falando da parte de criação mesmo, designers que eu admiro… Eu gosto muito do Rick Owens e da Chrome Hearts, curto pra caralho. Se fosse pra citar marcas brasileiras, a UMS seria a maior referência.
E numa pegada mais underground, eu citaria a Paradox Paris. Quero seguir mais essa linha agora também, um desfile bem exclusivo, trabalhar muito com couro, que é algo que estou começando agora. Essas são minhas maiores referências atualmente.
A Darkling surgiu porque eu queria desvincular meu nome da marca. As primeiras peças que vendi foram pelo meu perfil pessoal, e eu queria criar algo maior.
A Darkling nasceu numa época em que eu estava mal, numa vibe bem dark mesmo, e o nome veio da junção de Dark e Darling, que significa algo como “querida escuridão”. Então, vejo a Darkling como alguém que aceitou a escuridão e a enxerga como algo belo.
Boa pergunta. Em questão estética, eu gosto muito da estética emo dos anos 2000, tá ligado? É o que estou seguindo agora.
Esteticamente, curto muito a ambientação gótica. Minhas criações trazem muitas referências desse universo, como as catedrais – tanto que lancei o cinto da gárgula, inspirado em arquitetura gótica.
Geralmente, quando se fala em gótico, a galera pensa em roupas pretas. Então, tento puxar para esse lado, criando peças predominantemente pretas, com estampas cruas e essa estética mais sombria.
Mas além disso, trago referências do metal também. Por exemplo, na coleção nova, lancei um short camuflado inspirado no que os caras do metal costumam usar – tipo uma calça ou short camuflado com regata de banda.
Além do metal, também me inspiro no punk e no emo. Tudo isso faz parte das minhas referências.
Mano, esse nome surgiu meio do nada. Não tenho certeza do que vou falar agora, mas acho que tem a ver com o conceito de espectro de luz e oque eu tentei passar foi a dualidade entre o bem e o mal.
Se você olhar os dois looks da coleção, um é dark e o outro é branco, com cruzes e elementos mais positivos, como se fosse a luz dentro da escuridão.
Na real, tento passar a mensagem através das roupas. A Darkling fala muito sobre um Igor antigo, que queria fazer parte de algo, mas nunca se encaixou no que estava ao redor.
Quero que a marca acolha pessoas que passam por isso também. Pessoas que não se encaixam no que é comum. A Darkling é algo mais interno, mais pessoal.
No Brasil, para se diferenciar, é preciso construir uma comunidade forte.
Independente do que você fizer, se tiver uma base de público fiel, eles vão abraçar o que você criar.
Meu diferencial, velho, acho que é a estética da marca.
Não lembro de nenhuma marca no Brasil que tenha essa pegada gótica, mais dark.
As marcas que estão em alta agora seguem muito uma linha militar – calça cargo, camuflado… Então, acho que o que me diferencia é justamente essa estética.
Agora estou escutando muito tech house, porque tenho ido nos rolês com uns parceiros DJs.
Mas minha raiz mesmo é o rock e o metal. É por isso que minha estética e a da marca seguem essa vibe.
Lembro que o Davi deu um rolê aqui, o Ryan me chamou, e eu vim conhecer o espaço. Na época, o Davi comentou que queria trazer mais gente pra cá.
Eu estava precisando de um espaço pra expor minhas criações e produzir – antes, fazia tudo no meu quarto. E daí bateu, mano, deu um match.
Um spoiler da próxima coleção: quero fazer uma jaqueta jeans encerada com cera de abelha, e colocar uma pelagem de coelho na gola. Vai ficar sinistro.
Hoje vivo pela Darkling.
Quero entregar coisas novas, trazer referências de fora, não só seguir tendências que estão em alta no Brasil, mas criar algo novo e fazer a galera gostar disso, criando tendências.
ENTREVISTA FEITA POR LUIZ GUSTAVO
EQUIPE:WRLDMAGAZINE