VINNIE: O MULTIARTISTA DA CENA INDEPENDENTE QUE FAZ DA ARTE SUA QUEBRADA

Na cena independente, Vinícius Rodrigues, também conhecido como Vinnie, se destaca pela sua entrega total à música, produção e conexão real com outros artistas. Ele atua como produtor, músico, fotógrafo, diretor e idealizador da Solana, buscando sempre fazer arte sincera. Conversei com ele sobre sua jornada, o cenário atual, o processo criativo e o futuro da música na quebrada.

QUEM É VINNIE ?

Meu nome também é meio foda, porque cada um me conhece de um jeito, mas basicamente eu sou Vinícius Rodrigues, tenho 26 anos. E, mano, eu trabalho com arte. Mais diretamente com música, mas passo por várias áreas. Tocar, produzir, tirar foto, pensar numa capa, produzir um show… tudo isso faz parte do meu trampo.

COMO COMEÇOU NA MÚSICA ?

Difícil apontar exatamente quando. Mas desde pivete, quando ia com minha mãe em rolês e shows, eu queria mais estar no palco do que assistir. Sempre me atraiu. E na minha família sempre teve muito samba, pagode… isso me puxou. Fui me apaixonando, criando minhas coisas. Tô nessa caminhada faz tempo, mesmo que pareça pouco.

SUAS REFERÊNCIAS ?

Mano, você(Guga) é uma das minhas referências, já falei isso várias vezes. Mas tem muita coisa que me inspira que nem sempre vem da música. Musicalmente, gosto de gente que tá envolvida em todos os processos. Tipo o Felipe Vassão, que trampou com o Emicida, ou o Lucas do Fresno. Gosto de gente com visão completa da música.

E o que você mais curte ouvir atualmente?

Música brasileira. De tudo: MPB, samba, música de macumba, sons instrumentais… Mas sempre com esse pé no Brasil mesmo.


Quando começou a produzir, foi por necessidade ou curiosidade?

Necessidade mesmo.Falta de grana. Era mais barato ter um mic e uma interface de áudio do que pagar estúdio. Em Bragança nem tinha essa estrutura. Hoje qualquer um pode ter um estúdio no celular, mas na época era complicado. Eu comecei ali, no porão do pai de um amigo, e fui me virando.


Você acha que é essencial saber tocar um instrumento pra produzir?

Ajuda muito, mas não é obrigatório. Cada um tem seu jeito de pensar música. Tocar me dá visão, me ajuda em vários processos. Mas se a pessoa entende do som, mesmo sem tocar, pode fazer coisa boa também.

Com a internet ficou mais fácil produzir e surge muita gente, como você vê esse cenário atual?

Acho foda. Democratizou muito. Mas também banalizou. Hoje todo mundo é tudo e, ao mesmo tempo, ninguém é nada. Muita informação, pouca definição. Mas o lado bom é a conexão e o aprendizado rápido.


QUAL SEU PROCESSO CRIATIVO ?

É meio caótico. Às vezes a música vem pronta na cabeça, às vezes eu sento e faço do zero. Depende da ferramenta, do momento, do repertório mental. Às vezes é só juntar padrões que já tão na minha mente, tá ligado?

Como é se dispor a criar novas coisas em um cenário que segue muito tendências ?

Esse é o dilema. Fazer arte sincera e, ao mesmo tempo, pensar na sobrevivência. Conectar pessoas também é vender, de certa forma. Mas eu tento manter a essência. Quando você vive 100% da arte, consegue se dedicar mais. Não é sobre ficar dizendo “compra minha música”, mas fazer algo que realmente conecta.

O audiovisual, como entrou no seu trampo?

Foi natural. Sempre gostei de arte visual, vídeo de skate, essas paradas. Acabei monetizando todos meus hobbies. É bom, mas também sinto falta de fazer só por amor às vezes.

Você se define como músico, produtor, criador audiovisual… ou prefere não se rotular ?

Sou polvo, mano. Vários tentáculos. Faço várias coisas, sou bom em muitas, ruim em outras. Mas é isso: gosto de fazer de tudo.

Conta da Solana. Como surgiu e o que ela representa?

Começou de uma necessidade, como tudo. Viver de música é difícil. Minha mãe falava: “e se não der certo?”. Aí fui criando planos B dentro da própria música: produzir pra outros, dar aula, fazer foto… A Solana nasceu disso, mas hoje é mais. É um espaço pra conectar pessoas que vivem a arte com cuidado. Foda-se o estilo: o que importa é fazer música boa.

Tem plano de lançar um álbum autoral?

Com certeza. Tenho muita coisa guardada – no computador, na gaveta, na cabeça. Agora tô criando estrutura pra lançar isso da melhor forma. Tá perto.

E como surgiu a conexão com o Oclin?


Conheci por meio do Tank, um mano do rap de Bragança. Quando vi, ele era novo, mas já tinha algo. Depois que criei o Solana, pensei: “é hora de me aproximar da galera da minha quebrada”. Fui atrás do Oclinho e valeu muito a pena. Nossa conexão é real, vai além do estúdio. E isso é o que mais busco aqui.

Tem alguns nomes locais para indicar para a galera ?

Oclin, claro. Os caras da Complô, que fazem música pela música. A DJ Freitas, que é DJ e tem uma visão única. O DJ Check, com trampo de vinil que tem conceito pesado. Tem muita gente boa fazendo música boa, mano.

Pra encerrar: tem algum spoiler?


Tenho sim. Em off aqui, né? Mas é isso: vai rolar o Solana Sessions, um projeto pra criar uma rede de artistas que a gente admira e quer somar. Vai ser foda. Não só isso, mas outros projetos também, tipo o Vozes da Quebrada. A ideia é fortalecer geral e mostrar que dá pra fazer música boa de qualquer estilo.

Finaliza aí, Vinnie!


“Valeu pelo papo! E pra geral: mandem sugestões, somem com a gente. Acreditamos que dá pra fazer música boa de todo jeito!”

ENTREVISTA FEITO POR: LUIZ GUSTAVO

FOTOS: @gugawrld7

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